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Covid-19 e meio ambiente: especialistas alertam para a importância do equilíbrio entre a vida natural e humana

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Cientistas aventam a possibilidade de que um animal seja a provável fonte de transmissão do novo coronavírus, que infectou milhares de pessoas em todo o mundo e pressionou a economia global, e afirmam que as zoonoses (doenças infecciosas transmitidas entre animais e seres humanos) estão em ascensão e pioram à medida que habitats selvagens são destruídos pela atividade humana.

Por outro lado, especialistas têm refletido sobre a relação da atual pandemia com o meio ambiente, sobretudo pensando que seres humanos e a natureza fazem parte de um sistema interconectado e que, para impedir o surgimento de zoonoses, é fundamental endereçar as múltiplas ameaças aos ecossistemas e à vida selvagem, entre elas, a redução e fragmentação de habitats, o comércio ilegal, a poluição, a proliferação de espécies invasoras e, cada vez mais, as mudanças climáticas.

As conclusões aparecem no relatório Fronteiras 2016: questões emergentes de preocupação ambiental, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e foram alertadas em reportagem publicada no site do organismo dias antes da declaração oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS) de pandemia da Covid-19.

“Enquanto o novo coronavírus está dominando as manchetes internacionais, um assassino silencioso está contribuindo para quase sete milhões de mortes a mais por ano: a poluição do ar”. O alerta foi dado por Frank Hammes, CEO da IQAir (plataforma global de informações sobre qualidade do ar). Os últimos dados compilados pela IQAir, publicados no Relatório Mundial da Qualidade do Ar de 2019 e no ranking das cidades mais poluídas, revelam que a poluição do ar continua a representar uma das maiores ameaças à saúde humana, com 90% da população mundial respirando ar abaixo de níveis seguros.

Os novos dados destacam os níveis elevados de poluição do ar como um resultado de eventos da crise climática, como tempestades de areia e incêndios florestais, e ganhos de poluição pela rápida urbanização das cidades em regiões como o Sudeste Asiático.

Ao lado do apoio a todas as medidas emergenciais necessárias, o Instituto Clima e Sociedade (iCS) tem buscado contribuir com o debate público, traçando justamente esse paralelo entre a crise provocada pela pandemia de Covid-19 e outra, que certamente virá a assumir proporções ainda maiores: a crise climática.

“Tanto uma crise aguda de saúde global, como um fenômeno mais estrutural e perene no tempo – como é o caso das mudanças climáticas -, são capazes de causar inestimável sofrimento humano e disrupção aos sistemas econômicos. Os cientistas têm alertado para o risco de que a destruição de ecossistemas, o desmatamento e o derretimento de geleiras possam expor os seres humanos a vírus e outros microorganismos fatais, ainda desconhecidos, que hoje se encontram isolados ou restritos a certos hospedeiros, como os animais da floresta. Vetores de doenças que hoje proliferam apenas em determinadas regiões podem, com o aumento da temperatura global, alastrar-se por outras partes do planeta. São, portanto, questões inter-relacionadas. Tudo isso mostra que o uso sustentável dos recursos naturais é fundamental para evitar perturbações ao meio ambiente que rompam com esse delicado equilíbrio entre a vida natural e humana no planeta”, observa Caio Borges, coordenador do programa de Direito e Clima do iCS.

Para além da Covid-19

Ana Toni, diretora executiva do iCS, explica que a instituição tem procurado atuar para além do tema, como pede a atual situação emergencial, destinando recursos às ações humanitárias e buscando compreender as necessidades urgentes das pessoas em situação de vulnerabilidade no Rio de Janeiro e na Amazônia, além de participar e promover ações coordenadas em parceria com articulações como a Rede de Filantropia para a Justiça Social a fim de mobilizar atores da filantropia internacional e do investimento social privado brasileiro, conectando-os a organizações da sociedade civil (OSCs).

“Como atuamos no campo da filantropia, conhecemos de perto o trabalho de muitas organizações – o que nos dá legitimidade para sugerir o nome de algumas delas para receber suporte e financiamento nesse período de crise. Nesse momento, todas as organizações devem realmente parar para pensar como podem ajudar. Não é porque você não trabalha com saúde ou com economia que você não pode se articular na causa que está nos desafiando o tempo presente. Todos precisam sair da zona de conforto e agir”, convoca.

A transformação tem que ser estrutural e de longo prazo

Para Caio, a pandemia tende a interferir no modo como a agenda ambiental deve se comportar no próximo período, durante e após a crise, no que se refere aos debates prioritários, às políticas públicas e à atuação dos setores que se relacionam com o campo dos direitos ambientais.

“Já vemos um grande debate, especialmente na Europa, sobre a importância de integrar as medidas de estímulo econômico com a agenda ambiental e climática. Com esperança de que o pior da pandemia passe logo, é importante, desde já, lançar as bases para que a recuperação das economias pós-pandemia traga mais resiliência a todos os tipos de choques, sejam eles econômicos, de saúde ou climáticos.”

O especialista defende, no entanto, que uma pandemia global jamais pode ser entendida como uma oportunidade. “Não é viável reduzir emissões de carbono a um custo humano, social e econômico tão severo, até porque eventuais benefícios não são duradouros. É preciso pensar em políticas econômicas e sociais que promovam transformações estruturais nos sistemas produtivos rumo a uma economia de baixo carbono. Para isso, é fundamental apostar nas soluções baseadas na natureza, inclusive pela preservação da biodiversidade, e investir em tecnologias mais sustentáveis e limpas, como transporte movido a eletricidade, edifícios inteligentes e energias renováveis”, afirma.

Fonte: Gife.org.br

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